Juros elevados são o principal “nó da economia brasileira”
A afirmação foi feita por Marcos Lélis, doutor em Economia e consultor setorial da cadeia produtiva de calçados, durante a reunião do Grupo de Inteligência da Associação Brasileira das Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos (Assintecal). A iniciativa, on-line, foi realizada na manhã do dia 17 de setembro.

A afirmação foi feita por Marcos Lélis, doutor em Economia e consultor setorial da cadeia produtiva de calçados, durante a reunião do Grupo de Inteligência da Associação Brasileira das Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos (Assintecal). A iniciativa, on-line, foi realizada na manhã do dia 17 de setembro.
Segundo Lélis, existe um impeditivo importante para a redução dos juros brasileiros, em função do aumento da taxa nos Estados Unidos. “Se diminuirmos as taxas aqui, ao passo que os Estados Unidos aumentam, teremos uma saída de divisas que terá impacto na inflação brasileira. Então, nesse cenário (de elevação dos juros norte-americanos), no curto prazo, não existe perspectiva de baixa da Selic”, explica o economista.
O economista destacou que os juros elevados acabam pressionando o endividamento e o consumo das famílias brasileiras. “A percepção de endividamento, medida pela Confederação Nacional do Comércio (CNC) nunca esteve tão elevada, e hoje está batendo em 82%. Sem baixar os juros, seguiremos nesse ritmo. É o grande nó que impede o crescimento da economia brasileira hoje”.
De acordo com Lélis, diante do cenário de queda no consumo das famílias em função do endividamento crescente, a economia brasileira tem “andado de lado”, devendo fechar o ano com um crescimento de cerca de 1,9%. Para 2027, o cenário negativo deve se intensificar, fechando com incremento de apenas 1,5% no PIB, muito abaixo da média histórica (últimos 30 anos), de 2%.
O mercado de trabalho é um dos pontos positivos do cenário econômico brasileiro, com uma taxa de desemprego de 5,3%, um cenário de “praticamente pleno emprego”. O fato também pressiona o rendimento médio, que segue avançando e chegou a R$ 3.644. “Por outro lado, esse cenário não deve ser mantido para o próximo ano”, projetou, ressaltando, ainda, o comprometimento da renda das famílias brasileiras com dívidas, que já bate na casa de 29%.
Impacto na cadeia do calçado
O ambiente detalhado tem afetado todos os principais setores da economia, com exceção do agronegócio e da indústria extrativista. “A indústria da transformação está estável, tendo crescido 0,1% no acumulado do ano – até julho. Já a indústria calçadista, no mesmo período, viu sua produção cair 5,5%, impulsionada pela queda na demanda interna e também com o cenário negativo nas exportações”, comentou.
Grupo
Coordenado por Lélis, o grupo setorial de Inteligência de Mercado da Assintecal se reúne a cada dois meses para trazer números atualizados e projeções com base no panorama dos mercados nacional e internacional. O encontro é aberto para associados da Assintecal. Mais informações pelo e-mail relacionamento@assintecal.org.br.
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